Sempre me questiono a razão do cinema demonstrar uma quase obsessão pela ressurreição. E há uma lista considerável de como trazer um personagem de volta do mundo dos mortos, embora seja apenas a forma como esse retorno é demonstrado que mude, já que na maioria das vezes as opções são bem limitadas.
Elas variam entre rituais místicos, o feitiço de imortalidade que depende em geral da morte de pelo menos um dos heróis/heroínas , mas o feitiço dá errado e os bonzinhos recuperam sua vida, o auto sacrifício que é quando alguém decide abdicar de seu direito à vida pelo bem do outro (em geral os dois acabam sobrevivendo, já que isso representa um verdadeiro ato de nobreza), além da sempre possibilidade do quase vilão que na verdade é bom se comover com o ato de sacrifício do personagem principal e graças aos seus poderes extraordinários pode restituir a vida ao já declarado defunto e ainda ajudar a vencer a força mor do mal.
Nem mesmo os clássicos infantis escapam desse clichê, com Branca de Neve entre as pioneiras. Tudo bem que ele estava apenas em um sono de morte, mas mesmo assim ninguém discorda que ela só voltou à vida graças ao beijo do Príncipe Encantado, e olha que tem um monte de filme não infantil por aí que abraçou a idéia, as vezes um pouco mais disfarçada, outras reproduzem a cena com uma fidelidade incontestável.
Mas o pior de tudo são os filmes em série (trilogias, quadrilogias, heptalogias e assim por diante), em que você tem certeza de que o vilão foi definitivamente aniquilado, mas um ou dois filmes depois lá está ele, no auge de sua vitalidade, algumas vezes parcialmente regenerado, outras no ápice de sua maldade, e na maioria das vezes os roteiristas não se dão sequer ao trabalho de tentar dar alguma explicação ao pobre expectador que simplesmente tem que aceitar o fato de que ele está vivo e ponto final. Pior ainda é quando simplesmente fazem o pobre do herói exclamar frase do tipo “Mas você deveria estar morto”.
Bom, não adianta reclamar que o milagre da ressurreição não vai deixar de existir, e admito que algumas vezes ele é necessário ao filme, o que não me impede de sentir um certo alívio quando depois dos créditos os mortos continuam mortos. Só nos resta torcer para que pelo menos as formas de que essa volta à vida aconteça sejam mais criativas!
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