Somos dominados pelo tempo, ou melhor pelo medo que sentimos dele.
Temos medo de perder o tempo, de passar do tempo, ou de ser antes do tempo, nos preocupamos demais com algo quem nem mesmo é real. Nós criamos o tempo, e agora somos reféns dele. Reclamamos que não temos tempo, e realmente não temos, pois ele não pode ser tocado, não pode ser atingido. Perdemos nossa vida em busca de um tempo certo, mas se deixarmos de viver, o tempo levará nossas vidas e nada mais fará sentido.
Podia dizer que não tenho escrito, saído ou estudado mais por não ter tempo, podia dizer que minhas atividades consomem todo meu tempo, mas estaria mentindo. É verdade que faço muita coisa, mas é também verdade que se realmente eu quisesse poderia fazer mais. Talvez o mais correto seja dizer que não abri espaço na minha vida para outras coisas, que todos meus interesses estão em me tornar uma profissional melhor e crescer, talvez deva dizer que tenho medo de perceber que ainda tenho tempo para chorar, e não quero mais isso, não quero pensar, pois se pensar posso desistir, e não sei se é isso que quero.
No fundo acho que o tempo é meu cumplice, ele é o álibi perfeito para todos os meus medos e receios, e enquanto isso, enquanto não tiver coragem de abandonar os fantasmas que me cercam, me dedico a ser alguém melhor, se não nos sentimentos e nos sonhos, ao menos em meu trabalho!
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